Sann Marcuccy

Uma trajetória de sucesso marca a vida de Sann Marcuccy. Formado em moda pela Faculdade Senac, de São Paulo, teve peças comercializadas na França. Expôs no Salão Prêt-à-Porter e no Festival de Cinema de Cannes. No Brasil, assinou a criação do uniforme de gala dos Correios, em 2006. Em 2007, quando ganhou o premio de novos talentos do CFW, foi convidado pela Brasil Telecom para criar um figurino com o tema brasilidade com reciclagem de cartões telefônicos. A competência de seu trabalho lhe rendeu convite para ser consultor de moda da Universidade de Brasília/UnB onde desenvolve vários trabalhos em cooperativas e no LabModa/UnB. Recentemente participou da II Bienal de Artes de Brasilia. Atualmente, o estilista cursa uma Pós-Graduação em Negócios do Vestuário no Senai-SC e já começou sua tese de Mestrado em Moda e Sustentabilidade na UnB. Por indicação do Estilista Jum Nakao, comercializa suas pecas na Loja Fernanda Yamamoto Convida, em São Paulo, em que se reúne trabalhos autorais de varios estilistas brasileiros.

O inverno 2010 Sann Marcuccy é a expressão do amadurecimento conceitual do artista como designer. Inspirada no caótico crescimento urbano, a coleção “Nômades do Concreto” investe em formas desestruturadas e volumosas que brotam da modelagem e, ao mesmo tempo em que traduzem as assinaturas criativas e originais do criador, são extremamente desejáveis.

A inspiração no universo da arquitetura urbana proveio de duas fontes principais. Uma fotomontagem de Athos Bulcão denominada “A Invasão dos Marcianos”, de 1952, e um poema da artista e amiga Sandra Lima, intitulado “Flores do Concreto”.

A construção das peças, figurino dos personagens que Sann Marcuccy criou para habitar sua cidade frenética, são fruto da relação entre o designer, o tecido e seu manequim. São pessoas na fila de um clube noturno underground; são ferozes mulheres caminhando em rumo a seus ambientes de trabalho; são rapazes à noite querendo brincar de seduzir. Marcuccy mergulhou no sonho de sua cidade-conceito e trouxe de lá o que viu.

Tecnicamente, a coleção apresenta um leque de formas, estampas e tecidos, desde o tecnológico até o refugo de tecelagens, pelos quais o artista se apaixonou no início de sua trajetória. Essas matérias dão vazão a peças únicas, que exibem a individualidade de cada personagem que caminha sobre a passarela. Urbanos, são atores e habitantes que influenciam e interagem com a rua e em meio ao caos exercitam a multiplicidade de suas identidades.

“flores do concreto”

Sandra Lima

as vozes

borboletas do rádio

acordam os que nunca dormem

o socorro

helicópteros-libélulas

o choro em seu riso maior

o tiro perdido

e o que achou sua vítima

a caixa registradora

gritando nossas fomes

o amor e seus inversos

o hábito

o abraço

os olhares cruzados

e o que se desviou

as crianças

pombas ainda inocentes

o mal, o bom

o bem, o bam

o caos

a construção com seu vazio

a ocupação desocupada

a frenética flor portátil

o oxigênio

o homem em suas modernas cavernas…

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